<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3015936210139037258</id><updated>2011-04-21T15:14:19.683-07:00</updated><title type='text'>Deparatmento Cinema/Imagem em Movimento (Interno)</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://franzkafkawb.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3015936210139037258/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://franzkafkawb.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>e</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>1</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3015936210139037258.post-493122149757780156</id><published>2007-10-21T09:30:00.000-07:00</published><updated>2007-10-21T09:32:27.958-07:00</updated><title type='text'>WALTER BENJAMIN - Franz Kafka</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: center; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="center"&gt;&lt;span style="font-size: 18pt;" lang="PT-BR"&gt;No décimo aniversário de sua morte&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: center; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="center"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Potemkin&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Conta-se que Potemkin sofria de depressões cada vez mais graves, em intervalos mais ou menos regulares, durante as quais ninguém podia aproximar-se dele, e a entrada em seus aposentos era severamente proibida. Na corte não se falava nunca desta en­fermidade, principalmente porque se sabia que qualquer comen­tário sobre ela desagradava à imperatriz Catarina. Uma dessas depressões do chanceler teve uma duração, particularmente longa, o que provocou sérios inconvenientes: nos despachos, acumulavam-se documentos que não podiam ser expedidos sem a assinatura de Potemkin e sobre os quais a czarina reclamava decisões. Os altos funcionários não sabiam o que fazer. Nestas circunstâncias, o pe­queno e insignificante escrevente Chuvalkin chegou casualmente às antecâmaras ministeriais onde os conselheiros encontravam-se reunidos, como de costume, para chorar e lamentar-se. "Que se passa, Excelências? Em que posso servir a Vossas Excelências?", perguntou o solícito Chuvalkin. Explicaram-lhe a situação, lamen-tando-se de não se poderem valer de seus serviços. "Se é só isso, meus senhores — respondeu Chuvalkin —, peço-lhes que me dêem os documentos". Os conselheiros, que nada tinham a perder, con­cordaram, e Chuvalkin, com o maço de documentos debaixo do braço, dirigiu-se, através das galerias e corredores, até o quarto de Potemkin. Sem bater à porta nem deter-se, pôs a mão no trin­co. A porta não estava trancada. Na penumbra, Potemkin estava sentado na cama, envolto num velho roupão, roendo as unhas. Chuvalkin aproximou-se da escrivaninha, molhou a pena no tin-teiro e, sem dizer palavra, colocou a caneta na mão de Potemkin, tomando um documento ao acaso e pondo-o sobre os seus joelhos. Após lançar um olhar ausente ao intruso, Potemkin o assinou como um sonâmbulo; em seguida assinou outro, e logo todos. Quando tinha nas mãos o último documento, Chuvalkin re-tirou-se sem cerimônias, assim como havia chegado, com seu dos&lt;i&gt;sier &lt;/i&gt;debaixo do braço. Brandindo os documentos, em um gesto de triunfo, Chuvalkin entrou na antecâmara. Os conselheiros pre­cipitaram-se ao seu encontro, arrancando-lhe os papéis das mãos. Contendo a respiração, inclinaram-se sobre os documentos; nin­guém disse uma palavra sequer; ficaram como que petrificados. Outra vez Chuvalkin aproximou-se deles, outra vez informou-se com solicitude da causa de sua consternação. Então, seus olhos viram também a assinatura. Um documento após outro estava assinado: Chuvalkin,&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Chuvalkin,&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Chuvalkin...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Essa história é como um arauto que anuncia com dois sé­culos de antecedência a obra de Kafka. O enigma que ela encer­ra é o mesmo de Kafka. O mundo das chancelarias e das reparti­ções, dos quartos escuros, bolorentos e úmidos, é o mundo de Kafka. O solícito Chuvalkin, que faz tudo tão rapidamente e fica com as mãos vazias, é o K. de Kafka. Mas Potemkin, que, descuidado e sonolento, &lt;i&gt;perde-se &lt;/i&gt;numa existência crepuscular em um lugar afas­tado onde é proibida a entrada, é um antepassado desses pode­rosos que, em Kafka, residem como juizes em sótãos, como se­cretários no castelo, e, por mais alto em que se encontrem, são sempre seres decaídos, ou, melhor, em decadência, mas que, em compensação, podem aparecer repentinamente em toda a plenitude de seus poderes, mesmo através de seus representantes mais infe­riores e degenerados (os porteiros, os funcionários decrépitos). Sobre o que divagam no seu crepúsculo? Acaso são epígonos dos Atlantes, que sustentam o mundo sobre a nuca? É, acaso, por isso que man­têm a cabeça "tão profundamente inclinada para o peito que qua­se não se lhes vê os olhos", como o castelão em seu retrato ou Klamm quando se encontra a sós consigo mesmo? Não, não é o mundo que sustentam; trata-se de que o dia-a-dia tem o peso do globo terrestre: "Seu cansaço é o do gladiador depois da luta; seu trabalho consistia em caiar um canto da sala dos funcioná­rios!" Georg Lukács disse uma vez que, para fabricar hoje uma mesa decente, é preciso possuir o gênio arquitetônico de Miguel Ângelo. Assim como Lukács pensa em termos de épocas, Kafka pensa em termos de eras. O homem deve deslocar eras inteiras no ato de caiar. E isto ao executar mesmo o menor gesto. Muitas vezes — e muitas vezes por razões singulares — os personagens de Kafka batem as mãos. Em determinado instante entretanto, diz-se, de passagem, que aquelas mãos nada são "além de mar­telos a vapor". &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Esses poderosos aparecem-nos ou em movimento vagaroso e constante de ascensão ou de queda. Porém, não são, agora, mais terríveis do que quando se elevam da mais profunda abjeção: a dos pais. O filho procura acalmar o pai estúpido e pueril, a quem acaba de pôr na cama:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;"Fica tranqüilo, estás bem coberto". "Não", gritou o pai, e, sem dar tempo para uma resposta, puxou a man­ta com tal força que por um momento ela permaneceu aberta em toda a sua extensão, e pulou sobre a cama. Com uma só mão, apoiava-se levemente no teto. "Que-rias cobrir-me, eu sei, &lt;i&gt;meu amorzinho, &lt;/i&gt;mas, não estou ainda coberto. Nem que fossem minhas últimas ener­gias! É bastante para ti, é demais para ti. (...) Feliz­mente um pai não tem necessidade de que lhe ensi­nem a ler a alma do filho" (...) E permaneceu ali jo­gando as pernas para um lado e para outro. Resplande­cia de perspicácia. (...) "Agora sabes o que há no mundo fora de ti; até agora sabias apenas o que havia em ti. Eras realmente um menininho inocente, con­tudo, mais verdadeiramente ainda eras uma criatura diabólica!"&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;O pai, libertando-se do peso da manta, liberta-se de um peso cós­mico. Ele deve pôr em movimento eras cósmicas, para reanimar e tornar outra vez fecunda a antiquíssima relação pai-filho. Mas, fecunda de que conseqüências! Condena o filho à morte por afo-gamento. O pai é aquele que castiga. A culpa o atrai como aos funcionários do tribunal. Muitos indícios levam a pensar que, para Kafka, o mundo dos funcionários é o mesmo mundo dos pais. A semelhança não os honra. Ela é feita de &lt;i&gt;estupidez, &lt;/i&gt;degradação e sujeira. O uniforme do pai está manchado da cabeça aos pés; sua roupa de baixo está suja. A imundície é o elemento vital dos funcionários. "Não conseguia sequer compreender porque as par­tes iam e vinham. 'Para sujar a escada', disse-lhe uma vez um funcionário, provavelmente com raiva, mas esta resposta parecia-lhe o óbvio". A sujeira é a tal ponto atributo dos funcionários que eles quase poderiam ser considerados como parasitas gigan­tes. Isto não se refere, naturalmente, às relações econômicas, mas às forças da razão e da humanidade de que se nutre esta raça. Desse modo, inclusive o pai vive do filho e pesa sobre ele como um enorme parasita nas famílias de Kafka. Não consome apenas as forças do filho, mas o seu direito de existir. O pai é ao mesmo tempo o juiz e o acusador. O pecado de que acusa o filho parece uma espécie de pecado original. Pois ninguém se vê mais atingido que o filho pela definição que Kafka deu do pecado ori­ginal:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;A culpa originária, o antigo erro cometido pelo homem, consiste na reprovação que ele faz — e de que não de­siste — de que lhe foi feito um mal, que a culpa ori­ginária foi cometida contra ele.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Entretanto, quem é acusado desta culpa hereditária — a culpa de ter feito um herdeiro — senão o pai, pelo filho? De tal modo que o culpado seria o filho. Mas não é lícito deduzir das afir­mações de Kafka que a acusação seria culpada pelo fato de ser falsa. Kafka jamais diz que ela é infundada. O que se debate aqui é um processo sem fim. E sobre uma causa não poderia incidir luz pior do que a que incide sobre aquela para a qual o pai re­clama a solidariedade destes funcionários, destas chancelarias ju­diciais. O pior nisto não é uma venalidade sem limites. Pois que sua natureza é tal que sua venalidade é, inclusive, a única espe­rança que a humanidade talvez possa nutrir a respeito deles. Cer­tamente os tribunais têm códigos, mas códigos que não se podem ver. "Faz parte deste sistema ser condenado não somente sem culpa, como também ignorando a condenação", pensa K. Leis e normas prescritas permanecem, na pré-história, como leis não es­critas. O homem pode violá-las sem saber que o faz e incorrer, assim, no castigo. Mas, conquanto se possa ferir cruelmente a quem não o espera, o castigo, no sentido do direito, não é um acaso, e sim destino, que se revela aqui em sua ambigüidade. Já Hermann Cohen, em uma rápida análise da concepção antiga do destino definiu-o como um "conhecimento ao qual é impossível subtrair-se" e "cujos próprios mandamentos parecem originar e produzir essa infração, esse desvio". O mesmo vale para a jus­tiça que age contra K. Esta ação judicial nos devolve, muito além dos tempos da legislação das doze tábuas, a uma pré-história sobre a qual uma das primeiras vitórias foi o direito escrito. Aqui o direito escrito encontra-se, por certo, nos códigos; mas secreta­mente, e na base deles, a pré-história exerce um domínio muito mais ilimitado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Em Kafka, as condições reinantes nas repartições e na fa­mília apresentam muitos pontos de contacto. No povoado que se encontra nas proximidades do castelo, usa-se uma expressão es­clarecedora neste sentido: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;"Aqui há uma forma de dizer que talvez já conheças: as decisões da administração são tímidas como moci­nhas". "Uma observação aguda", disse K., . . . "real­mente aguda, as decisões da administração devem ter outras características em comum com as mocinhas".&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;A mais notável é a de prestar-se para tudo, como as tímidas moças que tropeçam com K. em &lt;i&gt;O Castelo &lt;/i&gt;e O Processo, e que se abandonam à lascívia no seio da família tanto quanto em uma cama. K. as encontra em seu caminho a todo momento, e o resto apresenta tão poucas dificuldades como a conquista da moça da cantina.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Abraçaram-se, o corpo delgado ardia nas mãos de K.; num delírio ao qual K. procurava incessantemente, mas em vão, subtrair-se, caíram na terra a uns poucos pas­sos dali, bateram com um golpe surdo a porta de Klamm e permaneceram ali estendidos entre pequenas poças de cerveja e outros restos dos quais o chão se achava coberto. Passaram horas assim . .. durante as quais K. teve a impressão constante de perder-se, ou de ter penetrado tanto em um país estranho como ne­nhum ser humano antes dele tivesse ousado, em uma terra desconhecida onde o próprio ar carecia de todos os elementos do ar natal, onde se sentia tão estranho que tinha a sensação de sufocar e onde, seguramente, em meio daquelas insensatas seduções, não podia fazer outra coisa senão internar-se ainda mais, continuar a perder-se.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Ainda ouviremos falar desta estranheza. Entretanto, vale a pena lembrar que estas mulheres lascivas nunca são bonitas. A beleza, no mundo de Kafka, aflora apenas nos lugares mais secretos: por exemplo, nos acusados.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Este é um fenômeno extraordinário, porém em certo sentido fisiológico ... Não pode ser a culpa o que os torna belos ... não pode ser sequer o castigo jus­to que os torna belos agora ... Então quer dizer que há no procedimento contra eles algo que os trans­forma.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;De &lt;i&gt;O &lt;/i&gt;Processo deduz-se que esse procedimento é geralmente sem esperanças para os acusados: não há esperanças ainda que lhes&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;" lang="PT-BR"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;reste uma esperança de absolvição. E é talvez esta ausência de esperanças que faz surgir neles a beleza — neles somente, entre todas as criaturas de Kafka. Isto concordaria perfeitamente com o fragmento de uma conversa citada por Max Brod:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Lembro-me de uma conversa com Kafka, cujo ponto de partida era a Europa atual e a decadência da hu­manidade. "Somos — disse ele — pensamentos nii­listas, pensamentos de suicídio que afloram na mente de Deus". Isto em princípio me fez pensar na visão do mundo da gnose: Deus como demiurgo maligno e o mundo como seu pecado original. "Ó não — disse —,j nosso mundo é só um mau humor de Deus, um mau dia". "Fora desta manifestação, deste mundo que conhe­cemos, haveria então esperança?" Sorriu. "Sem dúvi­da, muita esperança, infinita esperança, porém não para nós".&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Estas palavras nos indicam esses estranhos entre os estranhos personagens de Kafka, os únicos que escaparam do seio da fa­mília e para os quais talvez haja esperanças. Não são os ani­mais nem tampouco esses cruzamentos ou seres imaginários como o cordeiro-gato ou Odradek. Estes também vivem ainda à som­bra da família. Não é por acaso que Gregor Samsa acorda transformado em barata precisamente na casa de seus pais, não é por acaso que o animal meio gato meio cordeiro "provém da herança paterna"; não é por acaso que Odradek é "a preocupação do pai de família". São os "ajudantes" os que escapam efetiva­mente deste âmbito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Estes ajudantes pertencem a um ciclo de personagens que atravessa toda a obra de Kafka. À sua espécie pertence tanto o truão que é desmascarado em &lt;i&gt;A Contemplação, &lt;/i&gt;quanto o estu­dante que aparece à noite na sacada vizinha à de Karl Rossmann ou os loucos que habitam aquela cidade do sul e não se cansam jamais. Sua existência crepuscular faz pensar na luz incerta que banha os personagens das histórias curtas de Robert Walser, autor do romance &lt;i&gt;O Ajudante, &lt;/i&gt;muito admirado por Kafka. As sagas índias têm os &lt;i&gt;gandharva, &lt;/i&gt;criaturas embrionárias, seres em estado nebuloso. Do seu tipo são os ajudantes de Kafka, que não per­tencem — porém tampouco são estranhos — a nenhum dos outros grupos de personagens kafkianos: trata-se de mensageiros que co­municam os grupos entre si. Assemelham-se, como diz Kafka, a Barnabé, e Barnabé é um mensageiro. Ainda não saíram comple­tamente do seio da natureza e por conseguinte &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;acomodados no chão, em uma canto, sobre dois velhos vestidos de mulher .. . Toda sua ambição era ime­diata . . . consistia em ocupar o menor espaço pos­sível; com esta finalidade fizeram várias tentativas, sempre acompanhadas por risos e murmúrios abafados entrecruzando braços e pernas, colocando-se um muito junto do outro, e na penumbra não se via em&lt;i&gt; &lt;/i&gt;seu can-tinho mais que um enorme novelo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Para eles e seus semelhantes, os embrionários e os ineptos, existe a esperança.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;O que se pode reconhecer de terno e gratuito na conduta destes mensageiros é, de um modo mais pesado e mais sombrio, a lei de todo este mundo de criaturas. Nenhuma tem um lugar fixo nem contornos claros e inconfundíveis; nenhuma se encontra em outra situação que não seja a de subir ou cair; nenhuma que não se possa trocar com seu inimigo ou seu vizinho; nenhuma que não tenha completado sua maioridade e que, apesar disso, não seja imatura; nenhuma que não esteja profundamente exausta e, entretanto, ainda no começo de uma longa duração. Não se pode sequer falar de ordens ou de hierarquias. O mundo do mito, que nos tentaria a fazê-lo, é infinitameinte mais jovem que o mundo de Kafka, ao qual o mito já prometeu a redenção. Porém, se sa­bemos de alguma coisa, é do seguinte: que Kafka não cedeu às suas tentações. Novo Ulisses, deixou que elas resvalassem,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;com seus olhares fixados no horizonte; as sereias desa­parecem literalmente frente à sua resolução, e justa­mente quando mais próximas estavam, ele já não sabia nada delas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Entre os antepassados com que Kafka conta na antigüidade, judeus e chineses, que ainda teremos ocasião de encontrar, é pre­ciso não esquecer este grego Ulisses está no limite que divide o mito da fábula. Razão e astúcia introduziram no mito suas arti­manhas; seus poderes já não são invencíveis. A fábula é a re­cordação da vitória sobre eles. E Kafka escerveu fábulas para dialéticos, quando se propôs escrever lendas. Introduziu nelas pe­quenos truques para obter assim a "prova de que até os meios insuficientes ou verdadeiramente pueris podem conduzir à salva­ção". Com estas palavras inicia a narrativa &lt;i&gt;O silêncio das sereias. &lt;/i&gt;Nele, de fato, as sereias calam: "têm uma arma mais terrível que o canto ... seu silêncio". E a esta arma recorreram contra Ulisses. Porém Ulisses, narra Kafka, &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;era tão rico em astúcia, era uma raposa tão sutil, que nem sequer a idéia de destino podia penetrar em seu interior. Ainda que isto pareça superior à inteligência humana, talvez ele tenha observado claramente que as sereias calavam e só como escudo opôs a elas e aos deuses daquela comédia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Em Kafka as sereias calam. Talvez até porque nele a mú­sica e o canto são uma expressão ou, ao menos, um testemunho de salvação. Um testemunho de esperança que nos chega desde esse pequeno mundo intermediário, ao mesmo tempo inacabado e trivial, consolador e tolo, em que vivem os ajudantes. Kafka é o jovem que partiu para conhecer o medo. Chegou ao palácio de Potemkim, mas afinal, nos buracos de suas adegas, topou com Josefina, a ratinha que canta, cuja melodia descreve assim:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Há nela alguma coisa da pobre, breve infância, algu­ma coisa da felicidade perdida e para sempre irrecupe­rável, mas também algo da vida ativa e presente, de sua pequena, inexplicável e sem dúvida constante e irre­primível alegria.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Um retrato de infância&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Há um retrato de Kafka menino, e raramente "a pobre, breve infância" se traduziu em imagem mais pungente. Deve ter sido tirado num desses estúdios fotográficos do século passado que, com seus cortinados e suas palmeiras, suas tapeçarias e seus cavaletes, estavam a meio caminho entre a câmara de torturas e a sala do trono. Ali, numa roupinha apertada, quase humilhante, sobrecar­regada de rendas, um menino de seis anos aparece diante de uma paisagem de estufa. Sobre o fundo há rígidas folhas de palmeira. E como se se tratasse de tornar mais quentes e mais sufocantes esses trópicos pré-fabricados, o menino tem à esquerda um enorme sombreiro de abas largas, como os dos espanhóis. Olhos infini­tamente tristes perscrutam a paisagem que lhes foi imposta e a cavidade de uma grande orelha aparece escutando.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;O ardente &lt;i&gt;Desejo de vir á ser um índio &lt;/i&gt;nutriu-se talvez du­rante uma época desta grande tristeza:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Ó, ser um índio, sempre disposto, e sobre o cavalo a galope cortar o ar, vibrar sempre de novo levemente sobre o terreno que vibra, até que se abandonam as esporas, porque não há esporas, até que se atiram fora as rédeas, porque não há rédeas, e não se vê mais que o campo diante de si, igual a uma charneca pelada, onde já se desvaneceram o pescoço e a cabeça do cavalo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Este desejo é muito significativo. Seu segredo é desvelado ao consumar-se em América. O romance &lt;i&gt;América &lt;/i&gt;possui um caráter particular, que se evidencia no nome do protagonista, enquanto nos romances anteriores o autor jamais se dirigia a si mesmo se­não com o murmúrio de uma inicial, aqui vive um renascimento com seu nome inteiro e no novo mundo. Vive tal renascimento no teatro natural de Oklahoma.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Em uma esquina Karl viu um cartaz com o seguinte anúncio: No hipódromo de Clayton, hoje, a partir das seis da manhã até a meia-noite, será recrutado pes­soal para o teatro de Oklahoma! O grande Teatro de Oklahoma os chama! Chama-os somente hoje, por uma só vez! Quem perder esta ocasião vai perdê-la para sempre! Quem pensa em seu futuro é dos nossos! To­dos são bem-vindos! Que se apresente aquele que qui­ser ser artista! Somos o Teatro que pode empregar a todos, cada um em seu lugar! Sem mais, sejam bem-vindos os que se decidirem a seguir-nos! Porém apres­sem-se para que possam ser engajados antes de meia-noite! À meia-noite, tudo será fechado e não será mais reaberto! Ai daquele que não nos acredita! A caminho para Clayton!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;O leitor desse anúncio é Karl Rossmann, a terceira e mais feliz encarnação daquele K. que é o herói dos romances de Kafka. A felicidade o espera no teatro natural de Oklahoma, que é um hi­pódromo verdadeiro, assim como a "infelicidade" se havia apossado dele numa ocasião sobre o estreito tapete do seu quarto, onde cor­ria em círculos "como em um hipódromo". Depois de ter escrito suas considerações "para uso dos cavalariços", depois de ter des­crito o "novo advogado" ao longo das escadas do tribunal, "levan­tando as ancas, com passos ressoantes sobre o mármore", e de ter descrito seus &lt;i&gt;Moços no caminho principal &lt;/i&gt;trotando no campo, com grandes saltos e com os braços entrecruzados, esta imagem tor-nou-se-lhe familiar; e na prática pode acontecer mesmo a Karl Rossmann dar "várias vezes distraidamente, em seu estado de so-nolência, saltos muito altos, com uma inútil perda de tempo". Por isso não pode ser mais que um hipódromo o lugar onde al­cança a meta de seus desejos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Este hipódromo é, ao mesmo tempo, um teatro, e isto cons­titui um enigma. Porém o lugar enigmático e a figura, de nenhum modo enigmática, e sim clara e transparente de Karl Rossmann formam um todo coerente. Transparente, claro, até mesmo sem ca­ráter é, de fato, Karl Rossmann: ele o é no sentido em que Franz Rosenzweig, em seu livro &lt;i&gt;"Stern der Erlösung", &lt;/i&gt;diz que na China o homem interior&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;carece de caráter; o conceito do sábio, encarnado clas-sicamente . . . por Confúcio, apaga toda possível par­ticularidade do caráter; é o homem verdadeiramente privado de caráter, ou seja, o homem comum... O que distingue o homem chinês é algo diferente do ca­ráter:&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;uma pureza elementar de sentimento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Por mais que isso possa explicar-se teoricamente — talvez essa pureza de sentimento seja um equilíbrio particularmente refinado do comportamento mímico —, de qualquer modo o teatro natu­ral de Oklahoma nos encaminha para o teatro chinês, que é um teatro mímico. Uma das funções mais importantes deste teatro natural é resolver a ação no gesto. E é possível ir mais além e sustentar que toda uma série de ensaios e histórias curtas de Kafka acham-se plenamente iluminados somente se se os põe em rela­ção como documentos, por assim dizer, com "o teatro natural de Oklahoma". Só então se pode ver com certeza que toda a obra de Kafka representa um código de gestos que, a priori, não pos­suem para o autor um claro significado simbólico, mas são melhor questionados em relação a ordenamentos e combinações sempre renovados. O teatro é a sede natural dessas experiências. Em um comentário inédito ao &lt;i&gt;Fratricídio, &lt;/i&gt;Werner Kraft decifrou lucida-mente o desenvolvimento desta história como acontecer cênico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;A representação pode começar e é efetivamente anun­ciada pelo soar de uma campanhia. Este som se produz da forma mais natural tão logo Wese deixa a casa onde está seu escritório. Porém, diz-se expressamente que essa campainha "é sonora demais para ser a campainha de uma porta, soa sobre toda a cidade, eleva-se até o céu".&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Assim como essa campainha, forte demais para uma porta, eleva-se até o céu, os gestos dos personagens de Kafka são fortes demais para seu ambiente e irrompem em um espaço mais amplo. À medida que foi-se afirmando sua maestria estilística, Kafka renun­ciou progressivamente a adaptar estes gestos a situações normais, a explicá-los.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;É uma mania curiosa a sua — diz-se em &lt;i&gt;A Metamor­fose &lt;/i&gt;— de sentar-se sobre a escrivaninha e falar do alto ao empregado, que além do mais, surdo como é o chefe, deve colocar-se debaixo do seu nariz.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Já O Processo deixou claramente para trás esse tipo de explicações. K., no penúltimo capítulo, detém-se junto aos primeiros bancos,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;entretanto, a distância pareceu ainda grande demais para o padre, que estendeu a mão e, com o indicador, mostrou-lhe um ponto, precisamente debaixo do púlpi­to. K. obedeceu, porém nesse lugar via-se obrigado a jogar a cabeça para trás a fim de poder ver o padre.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Quando Max Brod disse: "Invisível era&lt;i&gt; &lt;/i&gt;o mundo dos fatos que lhe importavam", certamente, para Kafka o gesto era o mais invisí­vel de todos. Cada gesto é um acontecimento e quase se pode­ria dizer: um drama. O palco no qual este drama se desenrola é o Teatro do Mundo, cuja perspectiva é o céu. Porém o céu é só uma perspectiva: investigar sua lei seria como pretender depen-durar o pano de fundo de um teatro numa galeria de quadros. Como el Greco, Kafka abre com cada gesto o céu, e também como el Greco — que era o santo padroeiro dos expressionistas —, o elemento decisivo, o centro da questão, continua sendo nele o gesto. A gente que ouviu o golpe no portão caminha encurvada pelo terror. Assim um autor chinês representaria o terror, e nin­guém se sobressaltaria. Em outro fragmento, o próprio K. põe-se a representar. Quase sem dar-se conta tomou&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;da mesa, sem mesmo olhar, uma folha de papel, sus­tentou-a com a palma da mão e, levantando-a, colo­cou-a sob os olhos dos dois. Ao fazer isto não pensava em nada determinado, e sim que agia sob a impressão de que chegaria a completar este gesto um dia, se con­seguisse terminar o grande memorial que o libertaria da acusação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Este gesto, como um gesto animal, une o mais enigmático ao mais simples. É possível ler durante muito tempo as histórias de animais de Kafka sem se perceber que não se trata, nelas, de homens. Quando tropeça com o nome do protagonista — o macaco, o cão ou a topeira —, o leitor levanta os olhos espantado e descobre que se encontra, então, muito longe do continente do homem. Mas Kafka é sempre assim: arranca ao gesto do homem seus suportes tradicionais e tem de tal sorte um objeto para reflexões sem fim. Contudo, estas reflexões, singularmente, também não têm fim, nem sequer quando se originam nas histórias simbólicas de Kafka. Pense-se na parábola &lt;i&gt;Diante da lei. &lt;/i&gt;O leitor que a encontra em &lt;i&gt;O médico rural &lt;/i&gt;toca, talvez, o ponto nebuloso em seu interior. Mas não teria ele sonhado em empreender a série de considerações sem fim. que surgem desta parábola, quando Kafka se detém a explicá-la? Isso acontece por intermédio do padre, em &lt;i&gt;O Processo: &lt;/i&gt;e num ponto tão destacado que se poderia pensar que o romance não é mais que a parábola desdobrada. No entanto, o verbo "des­dobrar" tem duplo sentido. Se o botão se desdobra em flor, o barco de papel que se ensina às crianças a fazer desdobra-se em uma folha lisa. E este segundo tipo de "desdobramento" é o ade­quado à parábola, ao prazer do leitor de estendê-la até que seu significado seja completamente linear. Porém as parábolas de Kafka desdobram-se no primeiro sentido, como o botão se trans­forma em flor. Por isso seu resultado e a poesia são afins. Isto não impede que seus relatos se resolvam inteiramente nas formas da prosa ocidental e que mantenham com a doutrina uma relação similar à da Hagadah com a Halakkah. Não são parábolas, e não querem ser tampouco tomadas por si mesmas; são feitas de modo que possam ser citadas, que possam ser narradas a título de ilustração. Todavia, possuímos acaso a doutrina que as pará­bolas de Kafka acompanham e que ilustram os gestos de K. e os movimentos de seus animais? Não. E o máximo que podemos dizer sobre ela é que este ou aquele fragmento se lhe podem vin­cular. Kafka talvez dissesse: é um espólio que a transmite, po­rém nós podemos também dizer: é um mensageiro que a prepara. Trata-se aqui, de qualquer forma, do problema da organização da vida e do trabalho na comunidade humana. Este problema preocupou Kafka, por mais que lhe parecesse impenetrável. Se no célebre colóquio com Goethe, em Erfurt, Napoleão pôs a polí­tica no lugar do destino, Kafka — fazendo uma variação — pôde definir a organização como destino. Esta se lhe apresenta não só nas vastas hierarquias de fucionários de &lt;i&gt;O Processo &lt;/i&gt;ou de &lt;i&gt;O Castelo, &lt;/i&gt;mas também — em forma ainda mais tangível — nas di­fíceis e insondáveis empresas de construção, de cujo modelo tra­tou em &lt;i&gt;A Construção da Muralha da China. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;A muralha devia constituir uma proteção para séculos, eram, portanto, condições fundamentais para a tarefa a construção mais cuidadosa, a utilização das experiên­cias arquitetônicas de todos os tempos e de todos os povos, o sentido de responsabilidade pessoal dos cons­trutores. Para os trabalhos de menor importância po­dia-se empregar gente ignorante do povo: homens, mu­lheres, crianças, todos os que vinham oferecer-se atraí­dos pelo pagamento; contudo, para a direção de cada grupo de quatro pessoas, era necessário um homem in­teligente, perito em construções. . . .Nós — falo em no­me de muitos — aprendemos a conhecer-nos e a reen­contrar-nos conosco mesmos somente ao executar as disposições dos engenheiros supremos, e comprovamos que, sem a orientação dos chefes, nem nossa cultura escolástica nem nosso intelecto humano teriam bastado para a pequena tarefa que nos correspondia, no imen­so projeto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Esta organização se assemelha ao destino. Meschnikoff, que tra­çou seu esquema no célebre livro &lt;i&gt;A Civilização &lt;/i&gt;e &lt;i&gt;os Grandes Rios Históricos, &lt;/i&gt;serve-se de expressões que poderiam ser de Kafka.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Os canais do Yang-tse-Kiang e os diques do Hoangho — escreve — são, segundo todas as probabilidades, re­sultado do trabalho comum, sagazmente organizado de . . . várias gerações. O menor descuido na escavação de um fosso ou no escoramento de um dique, a menor negligência, o egoísmo de um homem ou de um grupo de homens a respeito da conservação da riqueza hidráu­lica comum, torna-se, em condições tão especiais, fonte de desastres e calamidades sociais vastíssimas. Por isso um alimentador fluvial exige, com ameaças de morte, uma solidariedade estreita e constante entre massas de população que são, com freqüência, estranhas e até mesmo hostis entre si; condena cada um a trabalhos cuja utilidade coletiva apenas se tornará patente com o tempo e cujo plano é, muitas vezes, inteiramente in­compreensível para o homem comum.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Kafka queria contar-se entre os homens comuns. A cada pas­so que tentava dar, o limite da compreensão se lhe colocava. E, por seu lado, gostava de colocá-lo também aos outros. Freqüente­mente parece não longe de dizer, com o Grande Inquisidor de Dostoievski:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Porém se é assim, há aqui um mistério e nós não po­demos comprendê-lo. E se há um mistério, nós temos, então, o direito de pregar o mistério e de ensinar aos homens que o que importa não é a livre decisão de seus corações, não é o amor, e sim o mistério, ao qual estão obrigados a submeter-se cegamente e, portanto, inde­pendentemente&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;de&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;sua&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;consciência.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Kafka não escapou sempre às tentações do misticismo. Com re­lação a seu encontro com Rudolf Steiner possuímos uma nota de diário que, pelo menos na forma em que foi publicada, não con­tém uma tomada de posição precisa por parte de Kafka. Acaso evitou tomá-la? Sua atitude a respeito de seus próprios textos nos leva a pensar que não é de nenhum modo impossível. Kafka dis­punha de uma rara faculdade para inventar analogias. Não obstan­te, e!e jamais esgotou o que é suscetível de explicação e tomou, inclusive, todas as medidas possíveis contra a interpretação de seus próprios textos. Para aventurar-se neles é preciso fazê-lo com cuidado, cautela e desconfiança. É necessário ter presente a ma­neira de ler própria de Kafka, tal como aparece na interpretação daquela parábola. Pode-se lembrar também seu testamento. A dis­posição pela qual ele ordenava destruir sua obra póstuma se se a considera bem, não se deixa compreender com mais facilidade, e exige um exame tão minucioso como as respostas do guardião diante da lei. Talvez Kafka, que confrontou cada dia de sua vida com comportamentos inexplicáveis e declarações ambíguas, quisesse pagar a seus contemporâneos, pelo menos no momento de sua morte, com a mesma moeda.&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;O mundo de Kafka é um Teatro Universal. Para ele o ho­mem encontra-se naturalmente em cena. E a prova está em que no teatro natural de Oklahoma todos são aceitos. É impossível compreender os critérios segundo os quais se os aceita. A aptidão para recitar, que de início pode parecer decisiva, carece sem dú­vida de qualquer importância. Mas isto também pode ser expres­so nos seguintes termos: aos candidates somente se lhes pede que recitem o papel de si mesmos. Que eles possam ser seriamente o que dizem ser, é coisa que escapa ao campo do possível. Os per­sonagens, com seus papéis, buscam asilo no teatro natural, assim como os seis de Pirandello buscam um autor. Em ambos os casos, esse lugar é o último refúgio, e isto não exclui que seja a reden-ção. A redenção não é um prêmio à vida, ou melhor, o último refúgio de um homem que, como diz Kafka, tem "o caminho blo­queado por seu próprio osso frontal". E a lei desse teatro acha-se contida em uma frase do &lt;i&gt;Informe para tuna Academia: &lt;/i&gt;"Imi­tava-os porque buscava uma saída, por nenhuma outra razão". Um presságio de tudo isto parece aflorar em K. antes do fim de seu processo. Volta-se repentinamente para os dois senhores com car­tolas que vêm buscá-lo e pergunta:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;"Em que teatro trabalham?" "Teatro?", perguntou um deles, virando-se para o outro para pedir-lhe conselho, com as comissuras dos lábios para baixo. O outro per­maneceu ali como um mudo a quem o organismo não responde.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Não respondem à pergunta, porém tudo leva a crer que os im­pressionara.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Sobre uma mesa comprida, coberta com uma toalha branca, oferece-se um banquete a todos os que passaram a fazer parte do teatro natural. "Todos estavam excitados e alegres". Para a festa os figurantes representam anjos. Estão sobre altos pedestais, que, rodeados de cortinas esvoaçantes, ocultam uma pequena escada em seu interior. Preparativos de uma quermesse camponesa ou tal­vez de uma festa infantil, onde o menino da fotografia, enfeitado e oprimido pelas roupas, teria perdido a tristeza que se vê em seu olhar. Se não tivessem asas presas à cintura, esses anjos po­deriam ser verdadeiros. Têm seus precursores em Kafka. Um deles é o empresário que sobe até junto do trapezista, golpeado "pela primeira dor" na rede de proteção, acaricia-o e aperta-lhe a cara contra a sua "de modo que as lágrimas do artista lhe banharam todo o rosto". Outro, anjo custódio ou da guarda, encarrega-se, depois do "fratricídio", do assassino Schmar que "aperta a boca contra as costas do policial que o conduz apressadamente". "Em Kafka — disse Soma Morgenstern - - há uma atmosfera de po­voado como em todos os grandes fundadores de religiões". E aqui é oportuno recordar a definição de piedade religiosa dada por Lao-tsé, tanto mais que Kafka fe&lt;i&gt;z &lt;/i&gt;dela uma transcrição per­feita em &lt;i&gt;O próximo povoado:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;As comunidades vizinhas podem estar ao alcance da vista, pode-se ouvir à distância o grito dos gaios e dos cães. Sem dúvida os homens deveriam morrer velhíssi­mos sem jamais ter viajado para longe. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Este é Lao-tsé. Também Kafka era um autor de parábolas, mas não era um fundador religioso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Consideremos o povoado ao pé do castelo, no qual a preten­dida chamada de K. como agrimensor é confirmada de modo tão inesperado e misterioso. Brod disse, em seu posfácio a este ro­mance, que Kafka, para modelo do povoado ao pé do castelo, deve ter pensado num determinado lugar, Zürau, em Erzgebirge. En­tretanto podemos reconhecer nele, igualmente, outro povoado: o de uma lenda talmúdica que o rabino conta em resposta à per­gunta sobre porque o judeu prepara um banquete na noite de sexta-feira. A lenda refere-se a uma princesa que definhava no exílio, longe de sua gente, em um povoado cuja língua não com­preendia. Um dia recebe uma carta que diz que o prometido não a esqueceu, que se pôs em viagem e está a caminho para ela. O prometido, diz o rabino, é o Messias; a princesa, a alma; o po­voado, no qual se acha desterrada, o corpo. E como não pode ma­nifestar sua alegria ao povoado de outra forma porque nele não se entende sua língua, prepara-lhe um banquete. Com este po­voado do Talmud, achamo-nos no coração do mundo de Kafka. O homem contemporâneo vive em seu corpo assim como K, no povoado ao pé do castelo; o corpo lhe foge, converte-se em inimi­go. Pode ocorrer que o homem acorde uma manhã e se ache transformado em um inseto. A estranheza — a própria estranheza — se apossou dele. Kafka respira o ar deste povoado e por isso ele não caiu na tentação de converter-se em um profeta religioso. Tam­bém pertence a este povoado o curral de onde saem os cavalos para o médico, o quartinho sufocante onde Klamm se senta diante de um jarro de cerveja com um cigarro na boca, e o portão que, ao ser golpeado, abre-se para a ruína. O ar deste povoado não é de todo puro: nele se mesclam viciosamente a matéria embrionária e a matéria em decomposição. Kafka deve tê-lo respirado durante toda a sua vida. Não era um adivinho nem um fundador religio­so. Como pôde resistir?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;O homenzinho corcunda&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Como já se sabe há muito tempo, Knut Hamsun tem o cos­tume de mandar, de vez em quando, cartas com suas críticas aos jornais da pequena cidade próxima de onde vive. Há anos realizou-se nesta cidade um processo contra uma moça que havia matado seu filho recém-nascido. Foi condenada a uma pena na prisão. Pouco depois apareceu no jornal local uma declaração de Hamsun. Declarava que voltaria as costas a uma cidade que não sabia aplicar a pena máxima a uma mãe que havia matado seu filho recém-nascido: se não a forca, pelo menos a prisão perpétua. Passaram-se alguns anos e ele escreveu &lt;i&gt;Bênção da Terra, &lt;/i&gt;onde se pode ler a história de uma criada que comete o mesmo crime, sofre a mesma pena, e como o leitor pode constatar com facili­dade, não mereceu outra mais severa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;As reflexões póstumas de Kafka contidas em &lt;i&gt;A Construção da Muralha da China &lt;/i&gt;fazem recordar este episódio. Se bem que mal acabara de sair este volume póstumo, surgiu, apoiando-se em suas reflexões, uma interpretação de Kafka que se comprazia em utilizá-las sem considerar sua obra, de modo algum, verdadeira e própria. Há duas maneiras de errar totalmente com relação aos escritos de Kafka. Uma que consiste na interpretação natural, outra, na sobre­natural: ambas — tanto a interpretação psicanalítica quanto a teo­lógica — descuidam igualmente do essencial. A primeira é sus­tentada por Hellmut Kaiser; a segunda por vários autores, como H. J. Schoeps, Bernhard Rang, Groethuysen. Entre estes últimos é preciso contar também com Willy Haas, que sem dúvida for­mulou a respeito de Kafka — quanto a outros aspectos aos quais logo nos referiremos — observações muito interessantes. Isto não o salvou de uma interpretação da obra no sentido do &lt;i&gt;clichê &lt;/i&gt;teo­lógico:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;O poder superior, o reino da graça, foi representado por ele em seu grande romance &lt;i&gt;O Castelo; o &lt;/i&gt;poder in­ferior, o reino do juízo e da condenação, no igualmente grande romance &lt;i&gt;O Processo. &lt;/i&gt;O território entre ambos, o destino terrestre e suas difíceis exigências, procurou pintá-lo mediante uma severa estilização, em seu ter­ceiro romance:&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;&lt;i&gt;América.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;O primeiro terço desta interpretação pode ser considerado, se­gundo Brod, como patrimônio comum da exegese kafkiana. Por exemplo, assim Bernhard Rang escreve:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Na medida em que se pode considerar o castelo como sede da graça, todos esses vãos esforços e tentativas significam, precisamente — em termos teológicos —, que a graça divina não se deixa alcançar e pressionar pelo arbítrio e a vontade do homem. A inquietude e a impaciência não fazem mais que impedir e confun­dir a sublime quietude do divino.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Esta interpretação é, por certo, cômoda;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;no entanto, à medida que a desdobramos, fica mais evidente que é insustentável. Isto é mais notório, talvez, em Willy Haas que&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;em outros, quando declara:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Kafka procede. . . de Kierkegaard tanto quanto de Pascal, e pode-se até mesmo considerá-lo como o único descendente legítimo de Pascal e de Kierkegaard. Os três têm em comum o duro e cruel tema religioso fun­damental: que o homem é sempre culpado diante de Deus. . . O mundo superior de Kafka, o chamado &lt;i&gt;Cas­telo, &lt;/i&gt;com seu exército imperscrutável, mesquinho, ex­travagante e lascivo de funcionários, seu céu misterio­so, joga um jogo terrível com os homens. . .; sem dú­vida o homem é profundamente culpado, inclusive di­ante deste Deus.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Esta teologia permanece insuficiente a respeito da teodicéia de Anselmo de Canterbury e incorre em especulações bárbaras, que nem sequer se podem fazer concordar com a leitura do texto kafkiano.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Tem acaso um funcionário isolado — diz-se justamen­te em &lt;i&gt;O Castelo &lt;/i&gt;— direito a conceder perdão? Quando muito a autoridade reunida poderia tomar uma deci­são, porém, provavelmente, também ela tem o poder de condenar, mas não o de perdoar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Este caminho chega logo a seu termo. "Tudo isto — escreve De-nis de Rougemont — não é o estado miserável do homem sem Deus, e sim o estado miserável de um homem submetido a um Deus que não conhece,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;porque não&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;conhece&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Cristo".&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;É mais fácil extrair conseqüências especulativas da edição póstuma das notas de Kafka que esclarecer um só dos temas que afloram em seus contos e romances. Porém só estes podem ilu­minar as forças pré-históricas que ele enfrentou, forças que po­dem, desse modo, ser consideradas como as potências históricas de nossos dias. Quem dirá sob qual nome se apresentaram a Kafka? Certo é apenas que Kafka não pôde orientar-se entre elas. Não as conheceu; somente viu aparecer — no espelho que lhe apresentava a pré-história na forma da culpa — o futuro em for­ma de juízo. Contudo, Kafka não deu nenhuma indicação sobre como se deve entender esse juízo: não é o último, o universal?, não faz do juiz o acusado?, o procedimento mesmo não consti­tui o castigo? — A tudo isto Kafka não respondeu. Além do mais, é lícito pensar que Kafka esperasse uma resposta? Mais do que isso, não procurava deixá-la em suspenso? Em suas histórias, a épica reconquista a função que desempenhava na boca de Sche-herazade: a de adiar os acontecimentos. O adiamento é, em &lt;i&gt;O Processo, &lt;/i&gt;a esperança do acusado — de que o procedimento não se converta pouco a pouco em veredicto. Também o patriarca deve aproveitar-se de um adiamento, ainda que por isto possa perder seu lugar na&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;tradição.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Poderia imaginar—outro Abraão que — inclusive se desse modo não chegasse a ser patriarca ou nem ao menos mercador de roupas velhas, — estivesse dispos­to a obedecer ao pedido do sacrifício imediato, rápido como um &lt;i&gt;garçon. &lt;/i&gt;E que sem dúvida não executaria o sacrifício por não poder afastar-se da casa, por ser in­dispensável, por ter a economia doméstica necessidade dele, por haver sempre ainda alguma coisa a ordenar, por não estar em ordem a casa e porque sem que es-tivesse em ordem sua casa, sem este suporte, não po­deria partir: a Bíblia mesmo o reconhece, uma vez que diz:&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;"E pôs em ordem sua casa".&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;"Rápido como um &lt;i&gt;garçon" &lt;/i&gt;se diz deste Abraão. Qualquer coisa para Kafka se deixava apreender apenas no gesto. E este gesto, que não entendia, é o ponto obscuro e nebuloso das pará­bolas. Deste ponto emana a obra de Kafka. É notória a sua ava­reza quanto a publicá-la. Seu testamento ordena que ela seja des­truída. Este testamento (que não pode ser evitado por quem quer que se ocupe de Kafka) diz que a obra não satisfazia a seu autor; que este considerava seus esforços como malogrados e que se con­siderava entre aqueles destinados a fracassar. O que fracassou foi sua grandiosa tentativa de reconduzir a poesia à condição de dou­trina e de voltar a dar-lhe, como parábola, a consistência e a sim­plicidade que eram as únicas qualidades que lhe pareciam ade­quadas frente à razão. Nenhum outro poeta seguiu com tanto rigor o mandamento:&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;"Não te farás nenhuma imagem".&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;"Foi como se a vergonha fosse sobreviver a ele": com estas palavras conclui &lt;i&gt;O Processo. &lt;/i&gt;A vergonha, que corresponde à sua "elementar pureza de sentimento, é o gesto mais forte de Kafka. Porém tem um duplo aspecto. A vergonha, que é uma reação íntima do homem, é também uma reação socialmente imperativa. Não é só vergonha diante dos outros, mas pode ser também ver­gonha &lt;i&gt;para &lt;/i&gt;eles. De tal modo, a vergonha de Kafka não é mais pessoal do que a vida ou o pensamento que ela governa, e do qual ele mesmo diz:&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;"Não vive sua vida pessoal, não pensa seu pen-samento pessoal. É como se vivesse e pensasse sob a repressão de uma família. . . Esta família desconhecida. . . não pode despedi-lo". Ignoramos como se compõe — de animais e de homens — esta família desconhecida. Só está claro que é esta família que obriga Kafka a deslocar — ao escrever — eras cósmicas. Se­guindo as injunções desta família faz rolar a rocha do acontecer histórico como Sísifo a sua pedra. Assim acontece que venha à luz sua parte inferior. Sua visão não é agradável. Porém Kafka pode resistir a ela. "Crer no progresso não significa crer que se tenha produzido já um progresso. Esta não seria uma fé". A época em que vive não significa para ele nenhum progresso sobre os começos pré-históricos. Seus romances se desenvolvem em um mundo pantanoso. A criatura aparece nele no estágio que Bachofen define como hetairico. O fato de que este estágio esteja esque­cido não significa que não aflore no presente. Inclusive acha-se presente justamente em virtude desse esquecimento. Em relação com este estágio há uma experiência que vai mais ao fundo que a do burguês médio. "Tenho uma experiência — diz Kafka em um de seus primeiro esboços — e não brinco ao dizer que é um enjôo de mar em terra firme". Não é por acaso que a primeira "contemplação" se produz em um balanço. E Kafka se demora infinitamente na natureza oscilante, flutuante das experiências. Cada uma cede à experiência oposta, mistura-se à ela.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Era verão — começa &lt;i&gt;O golpe contra o portão &lt;/i&gt;—, um dia sufocante. Ao voltar para casa com minha irmã passamos em frente ao portão de um curral. Não sei se brincando, ou por distração, ela deu um golpe sobre o portão ou se só fez o gesto, com o punho cerrado, sem golpear.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;A simples possibilidade desta terceira hipótese mostra as prece­dentes, que antes pareciam inofensivas, sob outra luz. Do pântano destas experiências surgem as figuras femininas de Kafka. São criaturas palustres, como Leni, que estende &lt;i&gt;"o &lt;/i&gt;dedo médio e o anular da direita, unidos entre si por uma membrana quase até a última falange". "Belos tempos! — diz a ambígua Frida, ao recordar sua vida anterior —. Nunca me perguntaste sobre meu passado". Isto nos leva ao obscuro seio dos tempos, onde se rea­liza o acoplamento "cuja desenfreada luxúria — segundo diz Ba­chofen — é aborrecida pelas puras potências da luz celestial e jus­tifica a expressão &lt;i&gt;lutae voíuptates &lt;/i&gt;da qual se serve Arnóbio".&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Somente a partir disto pode-se entender a técnica narrativa de Kafka. Se outros personagens do romance devem comunicar algo a K., fazem-no, ainda que se trate da coisa mais grave ou mais surpreendente, de forma incidental e como se ele, no fundo, devesse sabê-lo há muito. É como se não houvesse nada novo, como se o protagonista fosse tacitamente convidado a recordar algo que esqueceu. Willy Haas interpretou o desenvolvimento de &lt;i&gt;O Pro­cesso, &lt;/i&gt;com razão,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;neste&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;sentido, ao&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;dizer que&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;o objeto do processo, inclusive o verdadeiro protago­nista deste livro incrível é o esquecimento. . . cuja. . . propriedade fundamental é a de esquecer-se de si mes­mo. . . O esquecimento transformou-se aqui em uma figura muda — na pessoa do acusado — e em figura de&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;intensidade&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;grandiosa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Não se pode afastar, de imediato, a tese de que "este centro misterioso" deriva "da religião judaica".&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Aqui a memória, como piedade, desempenha um papel de enorme importância. Não é. . . um, e sim ... o mais profundo atributo de Jeová, o de recordar, o de ter uma memória infalível "até a terceira e a quarta geração", e mesmo até "a centésima". O ato. . . mais sagrado do. . . rito consiste no cancelamento dos pe­cados do livro da&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;memória.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;O esquecido — e com esta noção achamo-nos num limiar posterior da obra de Kafka — não é nunca puramente individual. Cada objeto particular de esquecimento se confunde com o es­quecido da pré-história, entra com ele em combinações inumerá­veis, mutantes, incertas, que dão origem sempre a novos prodí­gios. O esquecimento é o recipiente do qual surge à luz o ines­gotável&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;mundo intermediário das histórias de Kafka.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Aqui a plenitude do mundo vale como a única reali­dade. Cada espírito deve ser objetivo, deve estar à parte, para ter lugar e direito de existir. O espiri­tual, na medida em que desempenha ainda uma fun­ção, resolve-se em espíritos. Os espíritos tornam-se in­divíduos totalmente particulares, cada um com seu nome e especialmente ligados ao nome de quem os venera. . . Aqui não se vacila em plenificar com a sua&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;multidão&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;um mundo já superpovoado. .&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Sem escrúpulos multiplica-se aqui a multidão dos espíritos; aos antigos agregam-se sempre os novos, . . .cada um com seu nome próprio e diferente dos outros.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;O texto que acabamos de ler não trata de Kafka, e sim da China. Pois é a forma em que Franz Rosenzweig descreve, em &lt;i&gt;"Stern der Erlösung, &lt;/i&gt;o culto chinês dos antepassados. Todavia para Kafka o mundo de seus antepassados tal como o mundo dos fatos que lhe importavam, permanecia impenetrável até o fundo, e não há dúvidas de que este mundo, assim como as árvores totêmicas dos primitivos, conduz para baixo, até as bestas. De resto, não é só em Kafka que os animais são depositários do esquecido. No pro­fundo conto de Tieck &lt;i&gt;O Louro Eckbert &lt;/i&gt;o nome esquecido de um cãozinho — Strohmi — é a soma de uma culpa enigmática. Assim pode-se compreender porque Kafka procurava continuamente cap­tar a presença do esquecido nos animais. Os animais não consti­tuem a meta, porém são indispensáveis para chegar a ela. Pense-se no "artista da fome", que, "para dizê-lo claramente, era apenas um obstáculo no caminho que conduzia aos estabulos". Não vemos por acaso o animal de &lt;i&gt;A Toca &lt;/i&gt;ou a "topeira gigante" dar asas à imaginação e atilar o cérebro, assim como o vemos tatear e esca­var a terra? Mas, por outro lado, este pensamento é, a uma só vez, algo frágil e incerto. Oscila indeciso de uma preocupação a outra, saboreia todas as angústias e tem a volubilidade do de­sespero. Assim, achamos em Kafka, até mesmo mariposas; "o caçador Graco", que, culpado, não quer reconhecer sua própria culpa, "transformou-se em uma mariposa". "Não ria", diz o ca­çador Graco. E isto é uma verdade: entre todas as criaturas de Kafka, são especialmente os animais que se dedicam à reflexão. O que a corrupção é para o Direito, a angústia o é para o pensar des­tas criaturas. A angústia confunde os acontecimentos e, não obstan­te, é sempre, neles, a única fonte de esperança. Mas visto que a coisa mais estranha e esquecida seja o corpo — nosso próprio corpo — compreende-se porque Kafka denominou "a besta" ao acesso de tosse que irrompia do seu interior. Era o primeiro assal­to do grande tropel.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;O mais estranho bastardo que a pré-história engendrou em Kafka mediante a culpa é Odradek.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;No princípio parece um carretei chato, em forma de estrela, e na realidade parece, também, coberto de fio; entende-se que não se poderia tratar senão de velhos fios arrebentados, cheios de nós e embaraçados, de todo tipo e cor. Porém não é só um carretei; do centro da estrela surge uma pequena varinha transversal e sobre esta varinha está encaixada uma segunda em ângulo reto. Por meio desta última varinha, de um lado, e de um dos raios da estrela, por outro, o conjunto pede apoiar-se como sobre duas pernas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Odradek "se aloja, segundo os casos, em sótãos, escadas, corredo­res, vestíbulos". Prefere os mesmos lugares que o tribunal, que está atrás da culpa. O chão é o lugar dos objetos abandonados e esquecidos. Talvez a obrigação de apresentar-se em juízo suscite uma sensação similar à de abrir um baú que está no chão fecha­do há anos. De bom grado adiaríamos a empresa até o final dos tempos, tal como K. descobre que seu memorial "teria podido servir para manter ocupado o espírito já pueril de um velho aposentado".&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Odradek é a forma que as coisas assumem no esquecimento. Desfiguram-se, tornam-se irreconhecíveis. Assim é "a preocupação do pai de família" a qual ninguém sabe o que é; assim a barata da qual sabemos até bem demais que representa a Gregor Samsa, assim o grande animal, meio gato e meio cordeiro, para quem talvez "o cutelo do açougueiro fosse uma libertação". Entretan­to, estes personagens de Kafka se relacionam, através de uma longa série de figuras, com o protótipo da deformidade, o cor-cunda. Entre os gestos dos contos kafkianos, nenhum é mais fre­qüente do que o do homem que inclina profundamente a cabeça sobre o peito. É o cansaço nos senhores do tribunal, o aparato nos porteiros do hotel, a altura do teto — baixo demais — nos visi­tantes da galeria. Porém, em &lt;i&gt;Na Colônia Penal &lt;/i&gt;as autoridades servem-se de um mecanismo antiquado, que grava letras muito floreadas sobre as costas dos culpados, multiplica as feridas, acumu­la ornamentos, até que as costas dos culpados tornam-se clarivi-dentes e chegam a decifrar de forma direta o escrito, de cujas letras aprenderão o nome de sua culpa desconhecida. É, portanto, das costas, a incumbência de aprender e de carregar o nome da sua culpa. E assim é, em Kafka, desde sempre. Uma velha nota de diário diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Para ser o mais pesado possível, coisa que me parece útil para adormecer, tinha cruzado os braços e coloca­do as mãos sobre as espáduas, de modo que jazia como um soldado carregado com seu equipamento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Aqui o peso coincide tangivelmente com o esquecimento (daquele que dorme). Em &lt;i&gt;O Homenzinho Corcunda, &lt;/i&gt;a canção popular sim-bolizou a mesma coisa. Este homenzinho é o inquilino da vida desfigurada, e se desvanecerá quando vier o Messias, de quem um grande rabino disse que não pensa em transformar o mundo com violência, e sim ajustá-lo só um pouquinho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: center; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="EN-US"&gt;Geh ich in mein Kámmerlein,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: center; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="EN-US"&gt;Will mein Bettlein machen,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: center; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="EN-US"&gt;Steht ein bücklicht Mânnlein da,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: center; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="EN-US"&gt;Fá'ngt ala an zu lachen.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="EN-US"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;É o riso de Odradek, do qual se diz: "Soa mais ou menos como o crepitar de folhas caídas".&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: center; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="EN-US"&gt;Wenn ich an mein Bánklein knie,&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="EN-US"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: center; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="EN-US"&gt;Will ein bisschen beten,&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="EN-US"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: center; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="EN-US"&gt;Steht ein bücklicht Mânnlein da,&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="EN-US"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: center; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="EN-US"&gt;Fàngt ais an zu reden:&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="EN-US"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: center; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="EN-US"&gt;Liebea Kindlein, ach ich bitt,&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="EN-US"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: center; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="EN-US"&gt;Bet iürs büclicht Mânnlein mit.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="EN-US"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Assim termina a canção popular. Em sua profundidade, Kafka toca o fundamento que não lhe dão nem "as intuições da sabe­doria mítica" nem "a teologia existencial". E que é tanto o fundo do povo alemão, quanto o do povo judeu. Se Kafka não rezou — coisa que não sabemos — distinguia-se em grau elevadíssimo, pelo que Malebranche define como "a oração natural da alma": a atenção. E nela, como os santos nas suas orações, ele se solidari­zou com todas as criaturas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Sancho Pança&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Em um povoado jazídico, segundo se conta, uma noite, ao final do sabá, os judeus estavam sentados em uma mísera casa. Eram todos do lugar, salvo um, que ninguém conhecia: um ho­mem particularmente miserável, maltrapilho, que permanecia aco-corado em um canto escuro&lt;sup&gt;12&lt;/sup&gt;. A conversa havia girado em torno dos mais variados temas. De repente, alguém colocou a pergunta sobre qual seria o desejo que cada um teria formulado, se tivesse podido satisfazê-lo. Um queria dinheiro, o outro um genro, o ter­ceiro um novo banco de carpinteiro, e assim por diante no cír­culo. Depois que todos tinham falado, restava ainda o mendigo em seu canto escuro. De má vontade e vacilando respondeu à pergunta: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Queria ser um rei poderoso e reinar em um enorme país, e achar-me uma noite dormindo em meu palácio, e que das fronteiras irrompesse o inimigo, e que antes do amanhecer os cavaleiros estivessem em frente ao meu castelo e que não houvesse resistência, e que eu, despertado pelo terror, sem tempo sequer para vertir-me, tivesse que fugir de camisa e que, perseguido por montes e vales, por bosques e colinas, sem dormir nem descansar, tivesse chegado aqui são e salvo, sobre o banco, neste canto. Isso queria.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Os outros olharam-se desconcertados. "E que terias ganho com esse desejo?" perguntou um. "Uma camisa", foi a resposta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Esta história penetra profundamente na economia do mundo de Kafka. Ninguém disse, de fato, que as deformações que um dia o Messias virá a corrigir são apenas deformações de nosso es­paço. São também deformações de nosso tempo. Kafka certamen­te o pensou, e com base nesta certeza fez seu avô dizer:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;A vida é extraordinariamente curta. Em minha lem­brança ela é de uma tal brevidade que eu, por exem­plo, não compreendo como um jovem pode decidir-se a cavalgar até o povoado vizinho sem temer que —. deixando de lado qualquer desgraçado acidente — a duração de uma vida comum que se desenvolve com felicidade não seja infinitamente breve demais para uma tal cavalgada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Um sósia deste velho é o mendigo que em "sua vida comum que se desenvolve com felicidade" não encontra sequer o tempo para um desejo,-porém que na vida insólita, infeliz — na fuga —, a que se transfere com sua história, é isento deste desejo e o troca pela realização.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Há entre as criaturas de Kafka, uma raça que leva em conta, particularmente, a brevidade da vida. Essa raça vem da&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;cidade do Sul. . ., dela se dizia: "Essa é gente! Pen­sem um pouco: não dormem!" "E por que não dor­mem?" "Porque não se cansam nunca". "E per que não se cansam?" "Porque são loucos." "Os loucos aca­so não se cansam?" "E como poderiam cansar-se os loucos?"&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;É evidente que os loucos e os ajudantes — que tampouco nunca se cansam — são afins. Porém esta gente sobe ainda mais alto. Em um determinado momento se diz, a respeito da fisionomia dos aju­dantes, que faziam "pensar em adultos, inclusive quase em estu­dantes". E, de fato, os estudantes, que aparecem em Kakfa nos momentos mais impensados, são os porta-vozes e regentes desta raça. " 'Mas, quando dorme?', perguntou Karl, contemplando ma­ravilhado o estudante. 'Dormir.. . Sim!', disse o estudante, 'Dor­mirei quando tiver terminado meus estudos' ". É preciso pensar nas crianças que vão dormir de má vontade. Enquanto dormem pode acontecer algo que exija sua presença. "Não esquecer o me­lhor" soa como uma advertência que nos é familiar entre uma obscura massa de antigas histórias, e que, talvez, não se encontre realmente em nenhuma. O esquecimento, entretanto, refere-se sem­pre ao melhor, porque refere-se à possibilidade da redenção. "A idéia de querer ajudar-me — diz ironicamente o espírito errante sem paz do caçador Graco — é uma doença que se cura ficando na cama". Em seus estudos os estudantes velam, e por acaso a máxima virtude do estudo consiste justamente em mantê-los vigi­lantes. O jejuador jejua, o guardião cala e os estudantes velam. De modo tão secreto atuam em Kafka as grandes regras da ascese. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;A coroa deles é o estudo. Kafka o reevoca com a devoção dos anos submersos da infância.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Quase da mesma maneira — agora havia passado muito tempo — Karl estava sentado em sua casa, à mesa de seus pais, e fazia seus deveres, enquanto seu pai lia o jornal ou fazia contas ou a correspondência para uma sociedade, e sua mãe estava ocupada em um trabalho de costura e a cada ponto levantava a agulha sobre o pano. Para não inccmodar seu pai, Karl tinha sobre a mesa só o caderno e a caneta, e punha os livros ne­cessários à direita e esquerda, sobre duas cadeiras. Que calma havia então! Como era raro chegar um estra­nho à sala!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Talvez esses estudos não tenham significado nada. No entanto, estão muito próximos desse nada que apenas torna útil alguma coisa, e que é o Tao. Era isso que Kafka perseguia no seu de­sejo de&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;martelar uma mesa com habilidade paciente e minu­ciosa e ao mesmo tempo não fazer nada; mas não de forma que se possa dizer:&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;"Para&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;ele, martelar não é nada", e sim "Para ele, martelar é um verdadeiro mar­telar e ao mesmo tempo nada", com o que, inclusive, o martelar seria ainda mais audacioso, ainda mais de­cidido, ainda mais real e, se se quer, ainda mais louco"&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Uma atitude tão decidida, tão fanática, é a dos estudantes no estudo. Não se poderia imaginar atitude mais estranha. Os escre­ventes, os estudantes, estão sempre sem alento. Estão sempre a procura de algo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Freqüentemente o funcionário dita em voz tão baixa que o escrevente não pode ouvi-lo se ficar sentado e, portanto, deve levantar-se para ouvir o que se lhe dita, sentar-se depressa e escrevê-lo, depois pular de novo em pé, e assim por diante. Ê bem estranho tudo isto, ou antes, quase incompreensível.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Contudo, talvez se possa comprender melhor se se pensar nos atores do teatro natural. Todos os atores devem responder no momento da sua chamada. E também em outros aspectos se asse­melham a estes seres assíduos. Para eles, de fato, o martelar e um verdadeiro martelar e ao mesmo tempo nada": quer dizer, quando penetram no âmago de seus papéis. Eles estudam esse papel, e seria um mau ator quem esquecesse uma palavra ou um só gesto de tal papel. Mas para os membros da companhia de Oklahoma esse papel é a vida precedente de cada um. Daí a na­tureza" desse teatro natural. Seus atores são seres redimidos. Po­rém não o é ainda o estudante a quem Karl observa durante a noite,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;em&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;silêncio,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;na sacada,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;enquanto&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;lia o livro, passava as páginas, de vez em quando pro­curava algo em outro volume que pegava sempre com gesto rapidíssimo, e várias vezes tomava notas em um caderno que aproximava da cara de modo extravagante.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Nesta representação viva do gesto Kafka é inesgotável. Po­rém isto não acontece nunca sem maravilha. Tem-se comparado corretamente K. com o soldado Schweyk; um se maravilha com tudo, o outro não se maravilha com nada. Na época da aliena­ção máxima dos homens entre si, da,s relações infinitamente me-diatizadas — enfim, as únicas que eles têm —, inventou-se o filme e o gramofone. No filme o homem não reconhece o seu próprio andar, no gramofone não reconhece sua própria voz. Isto foi confirmado através de experiências. A situação do&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;sujeito de tais experiências é a de Kafka. É essa situação que o reconduz ao estúdio. É possível que no estúdio reencontre fragmentos de sua própria existência, que ainda fazem parte de seu papel. É possível que ele volte a receber o gesto perdido, como Peter Schle-mihl a sua sombra vendida. É possível que chegue a compreen­der-se, mas com que enorme esforço! Porque o que brota do es­quecimento é uma tempestade. E o estúdio é uma cavalgada que rnarcha contra ela. Assim o mendigo cavalga sobre o banco da estufa em busca do seu passado, para apossar-se de si mesmo na forma do rei fugitivo. À vida, que é breve demais para uma ca­valgada, corresponde esta cavalgada, que é suficientemente longa para uma vida:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;.. .até que se abandonam as esporas, porque não há esporas, até que se atiram fora as rédeas porque não há rédeas, e não se vê mais do que o campo diante de si, igual a uma charneca pelada, onde já se desvane­ceram o pescoço e a cabeça do cavalo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Assim se realiza a fantasia do cavaleiro feliz que se lança impe­tuosamente em busca do passado em uma viagem alegre e vazia e já não é uma carga para sua montaria. Infeliz, o cavaleiro que está acorrentado ao cavalo: porque se propôs uma meta futura mesmo que seja a mais imediata: o depósito de carvão. Infeliz também seu animal. Infelizes ambos:&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;a caçamba e o cavaleiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Cavaleiro de caçamba, com a mão em cima, na alça, a mais simples rédea, giro pesadamente escada abaixo; embaixo sobe pomposa minha caçamba. Camelos deita­dos rentes ao chão, não são mais belos quando se le­vantam gingando sob a batuta do guia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Sem mais esperança, já não se abre nenhum espaço com a pro­messa de ser "as regiões das montanhas geladas" onde o cava­leiro de caçamba se perca para sempre. Das "ínfimas regiões da morte" sopra o vento que está a seu favor: o mesmo que fre­qüentemente emana no Kafka da pré-história do mundo e que é também o que empurra a barca do&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;caçador Graco.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Em toda parte — diz Plutarco —, nos mistérios e nos sacrifícios, entre os gregos e entre os bárbaros, se en­sina que devem existir dois seres principais e duas forças particulares opostas, das quais uma empurra dire­tamente para a frente, enquanto a outra desvia e faz retroceder.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;O redobramento é a direção do estudo, que transforma a vida em escrita. Seu mestre é Bucéfalo, "o novo advogado", que, sem o grande Alexandre — quer dizer, livre do conquistador lançado para a frente —, empreende o caminho do regresso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Livre, os flancos já não mais apertados pelas pernas do cavaleiro, junto à quieta lâmpada, longe dos cla­mores das batalhas alexandrinas, lê e volta as páginas de nossos vetustos livros.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Esta história foi objeto de interpretação há algum tempo, por parte de Werner Kraft. Depois de ter analisado minuciosamente cada detalhe do texto, o intérprete observou: "Não existe em toda a literatura uma crítica do mito mais poderosa e mais radical em toda a sua extensão". A palavra "justiça" — pensa Kraft — não é empregada por Kafka; apesar disso, é a justiça que efetua aqui a crítica do mito. Porém, uma vez chegados aqui, corremos o risco de trair Kafka se nos detivermos neste ponto. Pode verdadeira­mente o direito ser posto em movimento, em nome da justi­ça, contra o mito? Não: como jurista, Bucéfalo permanece fiel às suas origens. Parece, no entanto, — e nisto poderia consistr, no sentido de Kafka, a novidade para ele e para a profissão de advogado — que ele não exercita sua profissão. O direito que não é mais exercido e que é só estudado, é a porta da justiça. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 45pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;A porta da justiça é o estudo. E certamente Kafka não se atreve a associar a esse estudo as promessas que a tradição asso­ciava aos estudos da Thora. Seus ajudantes são sacristãos que fi­caram sem.paróquia; seus estudantes, escolares sem escrita. Agora nada mais os detém em sua viagem "alegre e vazia". Mas Kafka encontrou a lei de sua viagem: pelo menos uma vez conseguiu adequar seu ritmo veemente a uma cadência épica, tal como o buscou durante toda a sua vida. Confiou essa lei a um esboço que se tornou o mais perfeito, não apenas por seu caráter de inter­pretação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: justify; text-indent: 45pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;Sancho Pança, que de resto nunca se gabou disto, através de uma porção de romances de cavalaria e aven­turas lidos em horas da tarde e da noite, com o correr dos anos, alcançando seu demônio — a quem deu o nome de Don Quixote —, logrou transformá-lo de tal modo que este se dedicou a cumprir desenfreadamente as ações mais loucas, as quais, certamente por falta de um objeto predestinado que deveria ter sido justa­mente Sancho Pança, não faziam mal a ninguém. San­cho Pança, homem livre, seguia imperturbável a Don Quixote em suas correrias, talvez por um certo senti­do da responsabilidade, e extraiu dela um alívio útil e grande ao fim de seus dias.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; text-indent: 36pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-size: 16pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;" lang="PT-BR"&gt;Louco pacífico e ajudante não ajudado, Sancho Pança man­dou seu cavaleiro adiante. Bucefalo sobreviveu ao seu. Homem ou cavalo, já não é coisa tão importante, conquanto se lhe tenha retirado o peso de cima.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3015936210139037258-493122149757780156?l=franzkafkawb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://franzkafkawb.blogspot.com/feeds/493122149757780156/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3015936210139037258&amp;postID=493122149757780156' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3015936210139037258/posts/default/493122149757780156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3015936210139037258/posts/default/493122149757780156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://franzkafkawb.blogspot.com/2007/10/walter-benjamin-franz-kafka.html' title='WALTER BENJAMIN - Franz Kafka'/><author><name>e</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
